Relato de jovem com câncer de mama na gravidez ajudou mulheres a descobrirem doença: 'Não tinha desconforto nenhum'
29/08/2026
(Foto: Reprodução) Relato de jovem com câncer de mama na gravidez ajudou mulheres a descobrirem doença
Um relato compartilhado nas redes sociais por uma jovem que descobriu o câncer de mama durante a gravidez ajudou uma moradora de Tatuí (SP) a reconhecer sinais da doença e buscar atendimento médico.
A partir da experiência de Beatriz Santos de Oliveira, que também mora em Tatuí, Talita de Oliveira Paschoal, de 39 anos, passou a observar o próprio corpo e recebeu o diagnóstico.
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Talita e Beatriz foram diagnosticadas com câncer de mama
Arquivo Pessoal
Durante o tratamento, Beatriz passou a compartilhar a rotina nas redes sociais. Ela conta que alguns vídeos alcançaram milhares de visualizações. Atualmente, o perfil dela no Instagram tem cerca de 10 mil seguidores.
Amiga da cunhada de Beatriz, Talita acompanhava o caso desde o início da gravidez da jovem e se sensibilizou com o relato.
Na época, Talita não sentia dor ou qualquer outro desconforto. O tumor estava localizado na lateral da mama, próximo à região da axila. Depois de acompanhar a história de Beatriz, decidiu fazer o autoexame em casa.
“Na correria do dia a dia, a gente passa despercebida e não faz o autoexame. Naquele dia eu falei: ‘Nossa, eu vou fazer o autoexame’”, contou.
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Ao tocar a mama, Talita percebeu uma região endurecida e diferente. Ela mostrou a alteração aos colegas de trabalho e foi orientada a procurar um médico. Depois de passar por ultrassom e biópsia, recebeu o diagnóstico de câncer de mama em 4 abril de 2025, três dias antes de completar aniversário.
“Eu fiz o autoexame imaginando não encontrar nada. Foi um susto, porque eu não tenho caso de câncer de mama na família. Mas eu falo que Deus usa uma história triste para ajudar outras pessoas. Sou muito grata à Bia porque, indiretamente, se não fosse o caso dela e a repercussão que teve, eu não ia descobrir, porque não tinha desconforto nenhum”, afirmou.
Talita notou um nódulo no seio durante o autoexame
Arquivo Pessoal
Talita iniciou as sessões de quimioterapia em junho de 2025 e seguiu com o tratamento até dezembro. Em janeiro deste ano, passou por uma cirurgia para retirar parte da mama. Como o tumor diminuiu com a quimioterapia, não foi necessário retirar a mama inteira. Entre maio e junho, ela também fez radioterapia.
Atualmente, Talita segue com tratamento hormonal e deve utilizar a medicação pelos próximos cinco anos. Ela ainda fará exames de imagem para avaliar a resposta ao tratamento.
Mãe de um menino de nove anos, Talita conta que fez questão de explicar ao filho o que estava acontecendo durante todo o processo. Segundo ela, o garoto acompanhou de perto o tratamento e esteve ao lado dela em momentos importantes, como quando ela raspou o cabelo e, mais recentemente, quando tocou o sino que simboliza o fim de uma etapa do tratamento.
"Eu expliquei pra ele, ele ficou nervoso, porque pouco antes eu tinha perdido um tio. Então ele falou 'é o câncer que mata?' Eu fui explicar pra ele que não, que tem vários tipos, que na mãe dele ia ser tratável", relembra.
Talita teve o cabelo raspado pelo marido, que é cabeleireiro, e apoio do filho de 9 anos
Segundo ela, o garoto acompanhou de perto o tratamento e esteve ao lado dela em momentos importantes, como quando ela raspou o cabelo e, mais recentemente, quando tocou o sino que simboliza o fim de uma etapa do tratamento. Assista ao vídeo acima.
"Quando eu comecei a fazer as químios, meu cabelo ficou fraco. Meu marido é cabeleireiro, aí meu marido cortou um pouco. Maí quando foi raspar, nós três estávamos juntos, eu, meu marido e meu filho. Meu filho participou de todo o processo, ele foi meu 'enfermeiro', ele fala."
Para Talita, a experiência também reforçou a importância de ampliar a informação sobre o câncer de mama entre mulheres mais jovens. Ela lembra que tanto ela quanto Beatriz têm menos de 40 anos e defende que o alerta não fique restrito às mulheres mais velhas.
“Essa doença não espera ter idade. Achei qualquer coisa, tem que procurar ajuda e, se precisar fazer acompanhamento, porque é muito importante. É uma batalha que não é fácil. A Bia foi uma peça bem fundamental. Ela me orientou bastante coisa, bastante coisa que ela passou. Eu falo que é uma superação você ver a história. Então eu sou muito grata”, finaliza Talita.
Diagnóstico após o parto
Aos 36 anos, Magda Josiane Machado, de Tatuí, descobriu um câncer de mama em um momento em que todos os cuidados estavam voltados para a chegada da filha, Milena. A bebê tinha apenas quatro meses quando a mãe recebeu o diagnóstico de que a doença já estava avançada.
Os primeiros sinais, porém, apareceram ainda durante a gestação, quando estava grávida de quatro meses.
"Estava grávida de quatro meses quando comecei a sentir dores no seio direito. Durante toda a gestação, a obstetra examinava e dizia que era leite que estava se formando", relata.
Na época, havia ainda um motivo a mais para Magda ficar atenta: a avó paterna estava em tratamento contra um câncer de mama.
Após o nascimento de Milena, Magda voltou à obstetra para os exames do pós-parto. Apesar de os exames de rotina estarem normais, as dores no seio direito haviam ficado mais intensas.
"Exames de rotina estavam ok, mas pedi a ela que me encaminhasse a um especialista, pois não estava normal. Fui ao mastologista e no toque ele já disse que tinha forte suspeita de nódulo. Fiz biopsia do seio e axila, era câncer de mama e já estava avançado. No diagnóstico minha bebê estava com apenas quatro meses", relembra.
Magda e a filha, Milena. A mulher começou a sentir dores no seio direito ainda na gravidez
Arquivo Pessoal
Depois de passar por novos exames, Magda iniciou o tratamento contra a doença em de dezembro do ano passado.
"Comecei a primeira quimioterapia no dia que minha bebê completou 6 meses. Foi um choque muito grande, jamais imaginei que o tratamento oncológico era tão agressivo", pontua.
Magda começou a quimioterapia quando a filha tinha apenas 6 meses
Arquivo Pessoal
Milena está com um ano e dois meses. Magda já concluiu as sessões de quimioterapia, passou por cirurgia na mama e na axila e também fez radioterapia. Agora, ela segue em tratamento com a chamada “terapia-alvo”, prevista para durar um ano.
"Essa parte de não poder carregar e nem tocar nela foi bem complicado. Após a cirurgia também não podia. Mas agora estou aproveitando o máximo que eu consigo", conclui Magda.
Magda descobriu que estava com câncer de mama em estágio avançado logo após dar à luz à filha Milena
Arquivo Pessoal
Troca de experiências
Durante o tratamento oncológico em um hospital de Tatuí, Magda conheceu Beatriz. As duas passaram a compartilhar experiências sobre os tratamentos e os desafios enfrentados.
“Dentro do hospital conversamos bastante, tanto com a Bia, quanto com outras pessoas. É muito importante trocar informações sobre o tratamento. Mesmo sendo sofrido, precisamos dar risadas e animar a outra que está triste”, relata.
A história de Beatriz também chamou a atenção de Magda porque, em determinado momento, ela quase precisou enfrentar o tratamento enquanto ainda estava grávida.
Para Magda, a convivência com outras pacientes mostrou a importância de ter uma rede de apoio durante um período tão difícil.
Alerta
Magda também passou a usar a própria experiência para chamar a atenção de outras mulheres para os cuidados com a saúde das mamas.
“A troca de experiências é primordial. Muitas mulheres não dão a devida atenção à saúde das mamas”, afirma.
A experiência também aproximou Magda de outras mulheres que enfrentam a doença. Para ela, compartilhar informações e experiências se tornou uma maneira de transformar uma situação dolorosa em apoio para quem passa por um momento semelhante.
“No que depende da minha história, conto para mulheres que conheço, pois Deus coloca pessoas que precisam no caminho. De certa forma, ‘abre os olhos’, serve de alerta”, diz.
Diagnóstico precoce
O mastologista Guilherme Ribeiro Fonseca, que acompanhou o caso de Beatriz, reforça a importância de procurar avaliação médica diante de qualquer alteração nas mamas. Ele ressalta que o acompanhamento não deve se limitar aos exames de imagem.
“Não é só fazer o exame. Muitas das alterações são palpáveis e não aparecem no exame. Então, essa relação de ter uma alteração no exame e uma palpação mamária com um profissional adequado é muito importante. Um não descarta o outro”, afirmou.
O mastologista Guilherme Ribeiro Fonseca reforça a importância de procurar avaliação médica diante de qualquer alteração nas mamas.
Reprodução
De acordo com Guilherme, a partir dos 40 anos, a mamografia é o principal exame utilizado para o rastreamento do câncer de mama e tem papel importante na redução da mortalidade pela doença. O ultrassom, segundo ele, é um exame complementar.
O médico também destaca que a descoberta do tumor em uma fase inicial aumenta as chances de cura.
“Não importa se você vai ter um nódulo e esse nódulo é benigno ou maligno. O importante é a gente pegar ele no início. Se a gente pega um tumor no início, a chance de cura é muito maior. É por isso que a gente recomenda sempre fazer um acompanhamento, um rastreamento, uns exames, para a gente ter certeza absoluta de que não tem nada e, se tiver alguma coisa, pegar bem no início e ter um tratamento eficaz”, concluiu.
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