Um terço da população de rua em Ribeirão Preto nunca fez exame de vista, diz USP

  • 31/05/2026
(Foto: Reprodução)
Pesquisa aponta que um terço da população de rua nunca fez exame nos olhos Um levantamento da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da Universidade de São Paulo (USP) apontou que um terço da população de rua na cidade nunca fez um exame de vista. Segundo o professor e médico oftalmologista João Marcello Furtado, os dados expõem uma dificuldade de acesso aos serviços de saúde. Ao todo, 491 voluntários participaram da pesquisa, sendo que 84,8% eram homens. Entre a população masculina, metade tinha idade de 40 a 59 anos. Segundo o estudo, 33,8% nunca fizeram qualquer exame oftalmológico e 33,2% relataram que o último teste tinha sido realizado há mais de cinco anos. “A imensa maioria das pessoas que tinham problema eram problemas que seriam, entre aspas, facilmente evitáveis ou tratáveis se elas tivessem um acesso e um acesso de qualidade ao sistema. Por exemplo, a grande demanda da população é falta de óculos. Então, a gente está falando de pessoas que passaram a vida toda sem ter acesso a uma consulta e mesmo se a gente fornecer só a consulta, o custo dos óculos é uma barreira para essa pessoa”, afirma Furtado. Faça parte do canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Morador em situação de rua em Ribeirão Preto, SP Valdinei Malaguti/EPTV A sugestão do levantamento surgiu da observação do trabalho do Instituto Simplesmente Amor, que atua em Ribeirão Preto distribuindo alimentos e roupas a pessoas em situação de rua. O presidente Silvio Henrique Mica diz que elas ficam expostas a condições climáticas adversas, como sol forte, vento e chuva, e ainda correm riscos de acidentes. “Ah, eu machuquei quando eu fui abaixar numa lixeira para pegar reciclado. A gente não sabe como que tratou, se foi tratado aquele olho ou não. Então, tem muitas histórias. É um pessoal que fica o tempo exposto à claridade, ao próprio calor das drogas que eles usam”, afirma. Silvio Henrique Mica é presidente do Instituto Simplesmente Amor em Ribeirão Preto, SP Valdinei Malaguti/EPTV Testes e necessidades Os pesquisadores levaram o exame oftalmológico até os locais onde essa população já é atendida, como centro especializado, abrigos e instituições parceiras. Equipamentos portáteis fizeram avaliações visual, refração, pressão intraocular, biomicroscopia, exame de fundo de olho e fotografia de retina. Óculos foram distribuídos gratuitamente aos participantes, enquanto casos considerados mais graves foram encaminhados para atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Com o estudo, foi possível entender que medidas simples, como a entrega de óculos, podem demandar mais cuidado por parte do poder público. “Na população geral, os óculos podem durar anos. Nessa população, muitas vezes a gente via que quando a gente fornecia os óculos, depois de pouco tempo, a pessoa já estava com eles quebrados ou tinha perdido esses óculos. Essas pessoas precisam de um sistema, de um serviço perene, permanente. A questão de campanhas, mutirões, funcionaria bem parcialmente mesmo.” O professor da Faculdade de Medicina da USP Ribeirão Preto e médico oftalmologista João Marcello Furtado Valdinei Malaguti/EPTV Próximos passos Com os dados, os pesquisadores querem identificar agora quais são os tipos mais comuns de doenças oftalmológicas e a origem delas. Ao final, o estudo pode ajudar a propor nova políticas de saúde pública para auxiliar essa parcela da população. “A primeira coisa é a ideia de que a gente não pode ficar nos nossos centros esperando essa população. A gente tem que ir até eles, porque por mais que os centros às vezes estão perto, aquilo ali é uma limitação. A pessoa não vai ter dinheiro para o ônibus, vai ter que andar. Então a gente tem que ir até eles, se adaptar ao jeito que eles estão ali”, diz Furtado. Exame de vista Reprodução/EPTV Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão e Franca Vídeos: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região

FONTE: https://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2026/05/31/um-terco-da-populacao-de-rua-em-ribeirao-preto-nunca-fez-exame-de-vista-diz-usp.ghtml


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